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Crato deve voltar a negociar

Independentemente dos resultados da greve de hoje, Nuno Crato deve seguir o exemplo de um seu colega de Governo, Paulo Macedo, retomar negociações com os sindicatos. Há um ano, Macedo fez isso mesmo, com excelentes resultados: deixou a greve dos médicos passar e sentou-se à mesa com eles, como se a greve fosse (e é) uma etapa normal das negociações. Neste caso, recomendaria apenas que deixasse passar a greve geral. Antes disso não haverá condições para falar.

Dito isto, acho que os professores e os seus representantes têm bons motivos também para chegar a um entendimento com o Ministério. Porque prolongar a greve às avaliações para lá da greve geral só lhes vai tirar razão (a que possam ter). E também porque Crato mostrou disponibilidade para avaliar como as novas regras do Estado podem ser aplicadas de forma específica no sector.

Vamos por pontos. Com algumas sugestões.

  • Não faz sentido os professores reclamarem que as 40 horas não se apliquem no Estado, visto que elas já se aplicam em todo o sector privado – incluindo na Educação. O que pode fazer sentido é que a extensão das 5 horas adicionais seja materializada de acordo com as suas legítimas preocupações.
  • Nos últimos dias, depois de ter defendido isto no «Eixo do Mal», alguns professores vieram até mim gentilmente, dando-me conta de algumas delas. A mais regular é que, em alguns casos, podem ter que ficar com 300 alunos a seu cargo (no caso dos directores de turma). Ora, como e óbvio, isto não pode acontecer. Mas para que não aconteça as partes têm que falar. Porque não discutir um limite de alunos por professor na aplicação desta lei, por exemplo?
  • O segundo problema levantado pelos professores é mais delicado: a bolsa de requalificação. Nuno Crato diz-se disponível para encontrar formas de proteger os professores, o que devia ser aproveitado. Primeiro, aplica a regra apenas a partir do início do segundo período de aulas, o que acho bem. Segundo, procura encontrar soluções para os professores extra escolas, o que é razoável. Terceiro, admite suspender a contagem do tempo de requalificação sempre que o professor for chamado – e eu acho que deve simplesmente voltar a zeros, saindo do esquema. De todo o modo, não acho que se possa reclamar que um professor não possa ser afastado, caso não exista colocação para ele no Estado. Isso não acontece na minha empresa, nem nas escolas privadas. Não é fácil dizer isto, mas os professores não podem ficar numa bolha de protecção especial, sendo pagos com os impostos de todos.
  • Mas há mais receios dos professores que merecem a atenção do Governo. Começando pelo caso dos directores de turma, de que já falei e que têm dupla função; o caso dos professores que se arriscam a deslocações diárias de mais de uma centena de quilómetros, o que não é normal; sobretudo um problema que ainda não chegou, o da revisão das suas tabelas salariais – como vai acontecer em toda a função pública. Devem ser vistos um a um. Com abertura de parte a parte.

Destacados estes pontos, reitero um outro: acho que mais grave do que uma greve ao exame de português é o facto de a Fenprof (ao contrário da FNE) querer estender a greve à avaliação dos alunos até ao fim do mês. Mais: reclamar daí uma grande vitória como fez no sábado (“conseguimos travar 95% das reuniões de avaliação!”) é simplesmente triste. Muito muito triste.

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