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Portas, ele próprio

Há duas qualidades notórias em Paulo Portas que não cansam: a inteligência e o prazer que tem em fazer política. Ontem, terá feito boa prova de ambas.
Na moção que fez ao congresso, deixou dezenas de sinais, para serem lidos com cuidado, dentro e fora do Governo, dentro e fora do país. Meros exemplos: o seu compromisso essencial é até à saída da troika; a sua principal coligação é com o Presidente da República; a sua estratégia central é ganhar tempo. Para a economia recuperar, para preservar o seu espaço de manobra futura (neste Governo ou no próximo), para esperar que a Europa ajude.
Do ponto material, caso a caso,não é fácil discordar dele (escreverei sobre isso, mais à frente). Mas o centro político de Portas tem dois problemas: nada hoje, ou sequer daqui a um ano, depende de nós – o tamanho da nossa dívida não deixa espaço de manobra suficiente e a solução da Europa para o pós troika ainda é incerto; e do ponto de vista das soluções, ele – Portas – ainda não provou o engenho e audácia necessários para mostrar que não ajuda só o Governo a corrigir, ajuda também a construir. Terá nestes dias, no tal guião da reforma do Estado, uma decisiva prova de fogo.
Depois de o ouvir e de reler a moção, porém, tenho que reconhecer um ponto: ninguém como ele consegue fazer a quadratura do círculo tão perfeita entre o risco e a responsabilidade. Convenhamos que isso, hoje em dia, é para poucos.

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