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Passar por Alcobaça

Directamente de Alcobaça, onde o Governo se juntou para uma reunião informal, o ministro Poiares Maduro negou que o Governo esteja já a renegociar com a troika as metas do défice para 2014 e 2015. E citou o próprio primeiro-ministro para dizer que só o pedirá “apenas e só se a conjuntura o determinar”.

Se percebo bem…

  1. …Passos e Gaspar só querem flexibilidade para deixar funcionar os estabilizadores automáticos (correspondentes à queda da economia superior ao previsto). Isso não acomoda, por exemplo, as verbas em falta da famosa TSU2, que continua por substituir.
  2. Se é assim, como é que se enquadra que o Governo tenha pedido, na sétima revisão, uma meta superior à que ficou estabelecida (4,5% em vez dos 4%)?
  3. Se o Governo não insistiu nesse pedido, significa que está a preparar o Orçamento de 2014 com as actuais estimativas?

Para lá das questões mais técnicas, há ainda uma questão política de relevância. Um dos problemas do Governo nestes dois anos foi dar total prioridade à mensagem que passa para a troika, descurando assim o que dele ouvem os portugueses. Acredite-se ou não, hoje há muita gente no Governo a reconhecer isto. Se é assim, e se no Governo é admitido que se vai mesmo tentar mais flexibilidade, porque não dizê-lo já e abertamente?

No sábado, em jeito de perspectiva, Poiares Maduro falou da necessidade de dar esperança aos portugueses. Atrevo-me a dizer que nem lhes peço tanto. Tão somente que tentem estabilizar as expectativas dos portugueses.

Acho esse objectivo muito difícil na actual conjuntura externa (crise na Europa, agora acentuada pelas decisão da Fed de retirar os estimulos à economia americana), mas também face à situação interna (contestação generalizada, consolidação ainda obrigatória, dificuldades constitucionais). Mas é aí que deve estar concentrado o esforço do Governo. Isso não se faz com discursos secos como o de sábado, nem com um coro desafinado como se tem visto na coligação.

P.S. Num Conselho aparentemente sem notícia, vão caindo as informações sobre o guião da reforma do Estado que não perspectivam nada de bom. Que Portas não distribuiu o documento, que Passos não gostou do conteúdo, que não virá dali nada de mais. Ora aí está um bom lembrete para quem tenta afinar a comunicação do Governo: sem que a montante exista coordenação, não há batuta que resulte.

 

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