Estado

Cuidado com as precipitações

Basta o Estado começar a emitir dívida para começarem os editoriais a concluir que Portugal já não precisa de um cautelar. Precipitadamente, digo eu.

Como esta procissão ainda vai no adro, limito-me a lembrar os dados que o Paulo Trigo Pereira usou no Público e na SIC há poucas semanas, que são hoje (e bem) recuperados no Público.

  • Inseguro quanto ao regresso aos mercados, o Estado está a criar uma almofada de tesouraria enorme, que já vai nos 20 mil milhões de euros. O Público conta o custo mensal dessa conta em 50 milhões de euros/mês (igual a 600 milhões ano).
  • Os juros das sucessivas emissões deste ano continuam presos aos 5%. Mesmo nos mercados secundários pouco baixaram nas últimas semanas. Em síntese, o custo da dívida poderá ser suportável, mas é claramente um peso sobre o nosso futuro.

Nada tenho contra a almofada – tudo o que nos deixa dormir melhor é uma coisa boa. Mas convém dizer que a necessidade de a manter é tanto maior quanto for a insegurança da saída da troika.

Leva-me isto ao ponto de partida: por mim, voto num programa cautelar. Dir-me-ão: não sabemos o que pode ser, pode ser até insuportável. Responderei que, à partida, a diferença será entre o que teremos que fazer porque está no papel e o que teremos de fazer porque as contas não nos permitem outra coisa.

No fundo, acho que pouco muda: teremos de fazer mais ou menos o mesmo. Mas a médio prazo acredito que estaremos melhor se seguirmos um caminho… ‘precaucionário’.

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