PS

A guerra do Rato

Bastou uma sondagem que coloca os partidos da maioria, juntos, apenas a três pontos do PS para que tudo voltasse ao normal. Sim, ao normal. Porque é normal que o maior partido da oposição, seja o PS ou o PSD, se inquiete quando chegam os momentos decisivos.

Como é próprio dos grandes partidos, o PS não é um partido de sentido único. Hoje isso será mais claro que nunca, mas não é preciso um grande esforço de memória para nos lembrarmos o que sofreu Sampaio com Guterres, Guterres com Soares, Ferro com Costa e Sócrates. Ou à direita o que teve que aturar Balsemão, Marcelo, Barroso, Santana, Mendes e Menezes, para não dizer Ferreira Leite também.

Reposta a ‘normalidade’, o que temos hoje no PS é importante para o futuro do país. Ontem foi Carlos César, há duas semanas tinha sido Ferro, a colocar a fasquia alta para Seguro nas eleições.  Hoje leio Francisco Assis, resistindo a todas as pressões para puxar os socialistas para a esquerda. Há uma semana foi Mário Soares a dizer o contrário, num artigo tristemente ignorado onde dizia preto no branco não perceber como é que Seguro não tinha começado a preparar um grande movimento de esquerda para governar o país.

Seguro está no meio, o que não é obviamente fácil. O desafio eleitoral que se segue não será fácil, mas é claramente o momento chave da sua afirmação política.

Tacticamente falando, o problema é o comparador:

  • Há cinco anos, quando Sócrates escolheu Vital Moreira para cabeça-de-lista ao Parlamento Europeu (o que o PS se deve arrepender dessa escolha!), o PS perdeu para o PSD de Rangel. Mas aí o PS estava no Governo, em fim de ciclo da sua primeira maioria.
  • Há dez anos, porém, o ciclo era como este. A direita juntou-se e perdeu. Ferro teve 44%, metade dos eurodeputados. É esta a fasquia psicológica que quem vê o PS à esquerda quer pôr a Seguro.

Depois há a questão estrutural. Esta:

  • Os que vêem o PS no centro, dentro do paradigma difícil que vivemos;
  • Os que procuram colocá-lo num outro centro, o de aglutinação do partido numa solução dita de esquerda.

Até aqui Seguro manteve-se no meio desta discussão. Mas as europeias, porque são europeias (centro do debate público) e porque são as últimas antes das legislativas, vão empurrá-lo para algum lugar.

Se eu vejo bem os sinais, lentamente o líder socialista vai escolhendo o seu lugar. Começou o ‘novo rumo’, ainda ténue, assinou a reforma do IRC, deu cobertura às novas regras dos fundos europeus. Mantém-se de acordo com os objectivos do Tratado Orçamental. Hoje, parece mais próximo do de Assis do que do de Soares.

Claro que não lhe louvo a sorte, porque remar contra o outro PS não é fácil. Mas invejo-lhe o desafio, porque acho que esse é um lugar privilegiado, o de tentar reconstruir o projecto socialista nesta nova circunstância de um país europeu (para o bem e para o mal) e limitado nas suas opções.

Se Seguro consegue resistir? Creio que sim. Se Seguro consegue o resto, isso só mesmo a bola de cristal para dizer. Mesmo assim, acho mais provável que o PS seja útil ao país neste caminho no que numa ilusão de que tudo mudou na esquerda portuguesa e de que tudo tem de mudar lá fora. Isso já me parece uma utopia, devo dizer.

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